Cachoeira, lual, violão, festas, uma galera legal... a vida tinha seus momentos interessantes. Eu curtia demais aquela minha “liberdade”, mas de alguma forma sempre me encontrava sozinho nos momentos de maior sobriedade: em casa, pensando, ou na frente da televisão procurando algo que preenchesse o vazio que me incomodava.
Seguia a vida me entregando ao que mais me atraia: futebol e música. Fui ao Maracanã pela primeira vez para ver o meu time de perto, mas voltei com o sentimento de que a viagem não tinha compensado. Fui para São Paulo para alguns shows de rock, e sempre voltava com o mesmo sentimento. “O que é que a vida tem pra mim?” – me questionava. Parecia que quando eu era menor não exigia tanto pra estar satisfeito, mas agora que eu estava naquela busca desenfreada, experimentando todo tipo de aventura, uma mais “interessante” do que a outra, tudo produzia o mesmo sentimento no final – solidão.
Quando não era dia de jogo do flamengo, saía com os “amigos”, à noite, tentando me enquadrar em tudo o que me mantivesse “por dentro”. Tentei fumar para acompanhar a turma, mas não consegui por muito tempo. A cerveja já era mais fácil de suportar, bem melhor do que ser chamado de careta. Gostava do primeiro copo, mas os seguintes eu bebia só para manter a minha imagem. De alguma forma cheguei a acreditar que se não fizesse o que os outros faziam, eu seria visto de maneira inferior.
Comecei a acordar para uma realidade: era hora de decidir o que fazer com a minha vida. Estudar não era algo que me encantava, mas fui convencido de que seria a única maneira de alcançar o tal “sucesso na vida”, algo que meu pai me cobrava. Iniciei minha jornada em busca de um currículo que garantisse o meu futuro e um bom emprego para eu poder ser aceito pela sociedade.
Prestei vestibular para vários cursos diferentes e passei em engenharia mecânica na UFPR. Fui, então, para a capital, cada vez mais consumido pela necessidade de me formar em alguma coisa para ser alguém em quem os outros pudessem confiar. O currículo determinava o nosso valor e ele era como um ídolo em nossas vidas. Por anos vivi em torno dele, tentando incrementá-lo.
Os primeiros anos dentro da vida universitária foram empolgantes, embora o sentimento de que eu não havia nascido para fazer aquilo sempre me perturbasse. Mas o que eu poderia fazer? Esse era o caminho que todos trilhavam! Fiz amizades com cristãos, místicos, alternativos, burgueses, mas nunca me identifiquei com nenhum deles. E o tempo foi passando.
Com parte do dinheiro que recebi de uma “herança antecipada” comprei um carro pra deixar minha vida mais emocionante. Era mais uma dose pra ir me preenchendo. Pouco tempo depois findei vendendo o carro pra financiar um curso de inglês no sul do Canadá. Era tanta adrenalina que eu nem tinha mais tempo pra questionar minha existência ou me dar conta da minha solidão, embora ela ainda me acompanhasse. Conheci gente de todas as partes do mundo e fizemos várias viagens para esquiar, conhecer lugares e tudo mais. Cada país visitado era como que “mais glória” acrescentada para mim - mais interessante eu me tornava e com mais histórias pra contar. Era tudo ao redor de mim, pra mim, embora parecesse muito normal ser assim.
Em uma dessas viagens tive a oportunidade de conhecer uma das comunidades das Doze Tribos no norte dos Estados Unidos. Fiquei alguns dias com eles e ouvi e vi muitas coisas, mas nada com força suficiente para me mudar de foco. Mas, algo que me impressionou foi a semelhança com uma dessas comunidades que eu já havia conhecido no Brasil. Algo me atraia àquele povo, mas infelizmente nossos ideais eram diferentes.
Ainda no Canadá, recebi a notícia de que havia ganhado uma bolsa para fazer um estágio no exterior. Perfeito! Além de conhecer a Europa, esta seria uma grande oportunidade de deixar meu currículo invejável. Como se não bastasse, comecei a fazer contatos com escolas na Alemanha para estudar alemão em Munique.
Retornei ao Brasil, cursei mais um semestre da faculdade e lá fui eu, para um estágio na Finlândia. Foram 3 meses bem diferentes. Morando com russos e finlandeses eu pude ver realidades diferentes de vida. Comecei a perceber mais e mais a solidão na vida das pessoas. Não importava onde eu fosse, o vazio nas pessoas era o mesmo. Passei muito tempo sozinho, ouvindo música, pensando, e nessa época recebi uma carta onde minha mãe dizia que eu precisava parar de tentar entender a mecânica das coisas, para começar a entender a mecânica das pessoas. Eu entendia o que ela queria me dizer. Dias antes, em uma estação de metrô, não pude conter meus sentimentos e chorei como uma criança, pois eu sabia que não havia sido criado para fazer o que estava fazendo. Deveria haver uma razão maior para viver.
Visitei a Rússia com um amigo e fiquei chocado com o atraso tecnológico do país e a marca do sofrimento no rosto das pessoas, que se tratavam com extrema hostilidade. Cada país era uma aventura e um tempo de “alívio” e distração com as novas cenas, mas o vazio não tardava a chegar. Depois de 3 meses de estágio na Finlândia desci para a Alemanha para estudar alemão. Aos poucos comecei a me acomodar novamente com as novas amizades. Andando pelas ruas de Munique, deparei-me com um outdoor e quase não pude acreditar no que vi: “Breve, show do Led Zeppelin em Munique”. Era a minha chance de realizar um dos meus sonhos e ver Robert Plant e Jimmy Page de perto. “Eles nunca iriam para o Brasil” - pensei. Garanti meu ingresso e aproveitei a oportunidade. Enchi-me de expectativa nos dias anteriores e me preparei. Quando o show acabou fiquei surpreso com o que estava acontecendo dentro de mim: decepção, vazio e solidão. As luzes se apagaram e observei as pessoas se retirando. Tentei me convencer de que era normal sentir o que estava sentindo. Mais um sonho se foi... tão passageiro, não valeu a pena...
O curso de alemão chegou ao fim e resolvi passar o feriado de natal em uma das comunidades das Doze Tribos na Alemanha. Liguei para ver a possibilidade e fui recebido como um rei. Eu já havia tido contato com muitos alemães, mas era óbvio que havia algo diferente nos alemães daquela comunidade. Eu vi pessoas que realmente se importavam umas com as outras. Eu vi amor e grande semelhança com as comunidades no Brasil e nos Estados Unidos, que eu já havia visitado. Depois de duas semanas com eles, senti não só um desejo de ter o que eles tinham, mas também senti a necessidade de ser como eles eram e ter o mesmo espírito que eles tinham. Isso tinha um custo que comecei a considerar.
Comecei a entender que algo grandioso estava acontecendo na Terra - Doze Tribos estavam se formando! Não se tratava de simples comunidades, era algo maior. Ao invés de estender meu curso de alemão por mais 2 meses, peguei o dinheiro e visitei a comunidade na França. Então, voltei para o Brasil, feliz por ter tido a oportunidade de ver tudo o que vi. Não fazia mais sentido estudar engenharia. Não fazia mais sentido entregar minha alma a tantas ilusões. Agora eu sabia porque eu havia sido criado: para amar as pessoas, e não as coisas. Eu entendi que Deus estava formando algo na terra, e era tudo o que eu queria pra mim - fazer parte daquilo. Era a minha oportunidade de aprender a amar, algo que nenhuma faculdade me ensinaria.
Hoje eu posso ser quem realmente eu sou. Não estou mais iludido, tentando mostrar ao mundo o que eu sei, para ser aceito e poder ser alguém. Nem estou iludido com alguma religião, dizendo servir a Deus, enquanto sirvo a outro. Não estou preso na busca desenfreada por dinheiro e status. Agora sou um discípulo e tenho muito pra te contar. Minhas histórias, agora, não trazem mais glória para mim, mas para aquele que me criou, e também te criou. Venha nos conhecer! Você precisa entender a razão da sua existência.